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Um rio de gente

Histórias, causos e lendas do Capibaribe


Lançado em 2010, “Um rio de gente – histórias, causos e lendas do Capibaribe” é fruto de um cuidadoso trabalho desenvolvido pelo especialista em recursos hídricos Alexandre Ramos, o jornalista Inácio França e a fotógrafa Tuca Siqueira. Durante nove meses, entre março e novembro de 2009, eles visitaram alguns municípios banhados pelo rio Capibaribe com um único objetivo: documentar a história oral da população ribeirinha.

O resultado é um livro repleto de narrativas que falam da dedicação, da cultura, da economia, dos amores, dos sonhos e das fantasias de quem mora às margens do rio e depende dele para sobreviver. As fotos contidas no livro completam o cenário de poesia tão característico do Capibaribe.

Com o incentivo cultural da Fundarpe e do Funcultura, “Um rio de gente – histórias, causos e lendas do Capibaribe” teve um número limitado de exemplares, pois o propósito não era comercializar a obra. A ideia de seus realizadores era devolver a cada uma das cidades visitadas um pouco daquilo que foi retirada delas. Por isso, as bibliotecas públicas desses municípios receberam uma determinada quantidade de exemplares do livro para o seu acervo.

Agora, o Museu Capibaribe disponibiliza na íntegra (com os textos de Inácio França e as fotos de Tuca Siqueira) o livro “Um rio de gente”. Boa leitura!

 

A nascente toda vida
foi ali


É menino que não
se acaba

 

Eu gostava dela
desde 1945

Sabe o que é uma vida
sofrida? É a nossa

Levei muita lapada de
urtiga no lombo

 

 

Até parece uma mentira

 

Vai dar outra cheia igual
de 100 em 100 anos


O tempo tá passando muito
ligeiro. Sabe por quê?

 

Travessia

Sou fã desse rio

Em 2009 já contei
43 arco-íris

No dia que morria
uma pessoa, era uma
noite de festa

 

Daqui eu tô vendo o
mundo: é uma maravilha

A água vinha borbulhando,
já quentinha

 

 

Eu andava a pé até Limoeiro pra comprar livro

O marido é teu agora:
fica com ele

E todos nós caíamos
na água

 

Escapei da boca do redemoinho, escapei fedendo

 

Não tem quem me
tire daqui

 

Olhado mata,
tá sabendo?

Perseverança

Nós somos Lenhadores, vivemos da arte

 

O mais velho do maracatu aqui sou eu

Foi muito sufoco
em sessenta e seis

 

Comecei a brigar pelo
rio muito cedo

Capivara até hoje tem