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O afeto

As Narrativas do Afeto bordadas nas águas do Capibaribe

No tecido móvel, leve, fluido e líquido das águas do rio Capibaribe, muitas, infindáveis histórias foram tecidas, histórias de amizade, amor - simpatias cumpridas e juramentos feitos em segredo – e, esperanças foram e são cotidianamente produzidas nas águas do Capibaribe. Os Afetos produzem e movimentam a história, são por meio das relações entre os homens em sociedade, que a cultura foi instituída, os mitos criados, e, o devir almejado. As águas do rio vão e vem, e sempre se renovam nelas as possibilidades e as urgências do presente.

O Rio Capibaribe foi e continua sendo objeto de afeição de muitos viajantes, estrangeiros, nativos, artistas que dele extrai seu alimento cotidiano. Ainda, por ele viaja, deslocando-se de um lugar para outro, de uma paisagem para outra, de uma cultura para outra. Mais ainda, o Capibaribe inspira os amantes da prosa e da poesia, inventam-se palavras novas para dar conta do sentimento que se sente quando se atravessa e é atravessado por suas águas. Ama-se o rio e desse amor são gestadas e paridas pinturas que aprisionaram em tela suas águas voláteis.

Quem passa pelo Capibaribe nele lança um olhar, às vezes apressado pelo movimento do relógio, outras vezes esse olhar se alonga, se espicha feito um gato ao acordar de um sono, e lá ficam os pensamentos, jogados nas águas do rio, e, lá inventa-se um mundo.

São dessas experiências afetivas, vividas por homens e mulheres, crianças e jovens, idosos e idosas que essas imagens narram e que os textos contam. Afetividades criadas, inventadas, sussurradas, escondidas no rio, pelo rio, do rio.

Fotografias de Tuca Siqueira. Poemas de Antonio Paulo. Curadoria e textos de Joana D'Arc Lima.