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Arte contemporânea

“O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.”

____________________________ Alberto Caeiro

Em seu entorno os homens e mulheres fixam-se, de nômades ao sedentarismo, do sedentarismo ao nomadismo, enraízam e desenraizam-se e, fundam as civilizações. Retiram do rio alimentos, força para o trabalho, crenças e mitos, prazeres e inspiração, instituem a cultura e essa não cessa de buscar inspiração nele. Fundam linguagens e inventam-se esteticamente.

Algumas delas não só são influenciadas por ele, mas o influenciam. E é nessa via de mão dupla que a cultura mantém com o rio suas relações, entrecruzadas, conjugadas, híbridas. Sob o título Arte Contemporânea esta exposição discute a relação entre homem e rio, uma relação de amor e de descaso, mas não de indiferença.

Sob o olhar e a intervenção de artistas contemporâneos brasileiros que tomaram o rio Capibaribe como suporte, repertório, assunto, matéria, entre outras possibilidades, revela-se, portanto, outras facetas de relações com o rio, outros olhares, outras poisès são tomadas aqui. Numa relação ética e estética esses artistas recolocam questões políticas, ambientais, científicas e de linguagem no centro do debate entre arte e sociedade.

Os artistas que foram convidados respondem bem as questões apontadas acima e produziram intervenções no Rio Capibaribe com base em diversas das possibilidades descritas, permitindo um fluxo e refluxo entre rio e o homem.